Enciclopédia de Thordezilhas: Dilúculo.

Salve, marujada!!!!

Hoje, dia 20 de Eleguário, começa o outono, um bom momento para apresentarmos o Dilúculo, um dos feriados mais importantes de Alexandria, ao lado do Alva, Carnaval,  Dia do Patife e o Vespertino. Conheça este importante feriado!

Dilúculo

Por David Dornelles!

Das três celebrações religiosas mais importantes de Alexandria o Dilúculo é a mais obscura — tendo sido abolida durante o Grande Expurgo. Dedicada originalmente a Baal e datada de muito antes da Dracomaquia, essa celebração sofreu transformações no decorrer das décadas.

“Nada dura para sempre”, talvez esta frase resuma, de certo modo, a essência da data. Com a chegada do outono, a queda das folhas e o clima mórbido da estação fica visível a influência das forças caóticas e transformadoras presentes no universo. Os festejos tradicionais são mais comuns na Região do Danúbio, porém houveram ressignificações influenciadas pelo mitraísmo numa tentativa do Papa de desassociar as tradições ao deus caído ao fim da Idade das Trevas — período em que qualquer indício de realizar o festejo resultava em pena de morte.

As festividades têm início ao  anoitecer  do dia 31 de Baalário. Lanternas confeccionadas com abóboras são postas nas portas das residências como símbolo de proteção. Além das abóboras, cenouras e outros elementos alaranjados, que lembrem o tom outonal das folhas, são usados na decoração. Com a ausência da luz solar e as trevas cobrindo a face de terra, celabrando o início do fim e a realidade mutável das coisas. O dilúculo é, acima de tudo, o reconhecimento da importância do término de tudo e da existência como um ciclo.

Acredita-se que nesse período o véu entre vivos e mortos está mais frágil e muitos espíritos, bons e maus, vagam pela terra. É comum, entre os poucos relatos que se tem da celebração, deixar-se um ou mais pratos servidos na mesa em honra aos mortos após a ceia da noite. Conta-se se que espíritos travessos ou, até mesmo, o próprio Baal vagam pela noite pregando peças nas pessoas. Embora não hajam comprovações, é muito relatada a ocorrência de pesadelos neste período. Supõe-se que os medos pessoais tenham mais força durante a data e deparar-se com eles no mês de Baalário é mau agouro.

As refeições envolvem carne de animais sacrificados — geralmente caprinos — servida com grãos tais como lentilhas e grão de bico. Além disso, o interior retirado das abóboras usadas como lanterna é reaproveitado para a preparação de sopas, doces ou bebidas. Enquanto o vinho é geralmente usado no Vespertino e, ocasionalmente, no Alva, o hidromel tende a ser a bebida mais consumida no Dilúculo.

Obscuro e controverso, o Dilúculo representa bem a imagem confusa que os alexandrinos têm de Baal ou Belzebu: uma sombra misteriosa, impossível de ser esquecida, que, de algum modo, é responsável por mudanças em nossos destinos.

O Dilúculo por Alexandria

  •  As comemorações ainda são proibidas em países de dominância da Santa Igreja, como Castelha, Versalhes, Santa Lúcia e Lusitan. Destes, apenas em Lusitan pode-se encontrar algum vestígio da tradição, com influência dos ritos feéricos, ocorrendo às escondidas;
  • Regiões urbanas de Nova Camelot são tomadas pela comemoração da Reforma Puritana — ocorrida em 1517 na mesma data — , porém nos vilarejos fronteiriços com o Danúbio os cultistas do deus caídos tem investindo em difundir sua celebração;
  • Versalhes tentou estabelecer, após o grande expurgo, o Dia de Todos os Mártires — para celebrar a memória de clérigos santificados — nesta data. Entretanto, a decisão divide a opinião de fiéis e alguns acreditam não passar de uma afronta à comemoração da Reforma Puritana.
  • Países que têm Branwen como sua principal divindade, como Fhaeron e Shideron, celebram no Dilúculo um culto aos ancestrais sendo Baal uma figura de fundo responsável pela mudança das eras. Feéricos trocam a ingestão de carne pelo preparo e consumo de doces — tradição que foi adotada por alguns países como Lusitan, por exemplo.
  • Os brucutus adoram a ingestão de carne e álcool no Dilúculo que difere esta celebração das dedicadas aos outros dois deuses. Há relatos de duelos de vida ou morte como parte dos seus rituais.
  • A celebração é uma das mais importante em países do Danúbio. Boatos apontam para, além dos ritos com animais, existência de sacrifício humano em suas celebrações.
  • Em Salgarian a data converge com o Dia do Silêncio, celebração vinculada à deusa Kali.
  • Diferentemente do Alva e Vespertino, sereianos não vêem no Dilúculo um momento propício para infiltração na superfície devido a morbidez e isolamento das pessoas.

Escrito por David Dornelles

Portador do lampião na noite escura e teme mais a vida do que a morte.

Agradecimentos ao Luiz — o homem sem medo — por me desafiar e ao mesmo confiar a conclusão desta tríade e à Mônica de Faria — que encara seu pavor de aranha e o vence aos poucos — por sempre me incentivar e não permitir que eu esteja do outro lado do véu.

 

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