Masmorras & Mamadeiras Avançado, continuação do papo sobre maternidade e RPG

Há tempos não escrevia um texto desse tipo, porém, ontem fui surpreendida com a publicação do Desafio dia das Mães com RPG do Museu do RPG no Facebook, na qual compartilhava o link do meu texto de dois anos atrás Masmorras & Mamadeiras, pela Guilda dos Mestres. Achei que fosse hora de atualizar.

Adaptação: Algumas coisas continuam iguais

Trabalho, responsabilidades, homescholling, quarentena. Sim, esse texto será datado, nem por isso menos sincero. Hoje Alice está com 5 anos, tenho uma rotina cheia e o RPG faz parte dela. As coisas vão ficando mais fáceis, também mais frustrantes por um lado e muito mais divertidas por outro. 

À medida que as crianças crescem vão ganhando sua autonomia, é algo lindo de se ver! Vem a escola, atividades extraclasse, amiguinhos e também outros tipos de demanda por atenção, cuidados e participação. Filhos sempre vem em primeiro lugar e por mais que tenhamos uma agenda regrada, sempre acontece o imprevisto. A sensação de viver a vida para outra pessoa é constante, eterna doação, eterno julgamento dos que estão em volta em relação às nossas atitudes com as crianças e nós mesmos. No meu caso, como “mãe sozinha”, até mesmo num momento que não estou com minha filha e escolho tirar pra mim sou cobrada por não estar fazendo outra coisa ou estar com outras pessoas. É injusto. É preciso força pra manter as próprias prioridades e não se deixar controlar pela vida social.

Continua a dica: peçam ajuda! E conversem. Tentem fazer as pessoas perceberem o que vocês passam. Empatia é muito importante na hora de lidar com as dificuldades das cobranças.

Com a autonomia, vem o companheirismo e a diversão.

Ver o desenvolvimento da criança é sensacional. Mesmo com o peso da responsabilidade da educação, o medo com as incertezas do futuro e dos perigos do mundo, é impossível não se alegrar com o retorno do imaginário infantil. Alice ainda não é alfabetizada, recém fez 5 anos, mas já consegui algumas experiências próximas ao RPG com ela e foram gratificantes. Eu sei que, aos poucos, estou construindo uma grande companheira de aventuras.

E o RPG? Sim ele volta, você quiser…

Com horários mais regrados é possível também regrar a agenda, isso tornou possível incluir o RPG como uma atividade contínua na minha vida. Certamente eu gostaria de jogar muito mais, experimentar mais, mas a vida não permite. Paciência. Prioridades. Ainda mais nesse período de isolamento as mesas online continuam sendo uma forma extremamente eficaz. Bem, ao menos foram durante um bom período, jogava depois da Alice dormir ou quando ela estava quaaaaaase dormindo. Até que a mocinha resolveu mudar seu horário de sono e dormir tarde. E não teve o que mudasse isso. Fazer o que? Adaptação. 

No meu caso, jogo muito quando ela está com o pai. Todavia, penso nos casos diferentes do meu, com ambos os pais em casa (maravilhoso!), bem dividam-se! Adaptação e empatia. Se tem hobbies diferentes, nada mais justo do que haver o dia de cada um, isso é bom para os pais e também para um momento da criança só com a mãe e só com o pai, fazerem atividades juntos, só deles. Quem sabe até mesmo jogar? Se o casal joga, também adapte-se! Faça a criança participar da rotina, torne isso um hábito, dois para dividir a atenção é mais fácil, mas precisa haver parceria, não dá pra deixar tudo nas costas de um só… Vou julgar sim, geralmente sobra pra mãe.

Antes da quarentena ainda conseguia jogar mesas presenciais. Felizmente tenho um maravilhoso grupo de amigos que, devido os mesmos problemas da vida adulta, trocaram o RPG noturno, pelo vespertino no final de semana e, vejam só, alguns têm crianças! Geralmente combinamos quando as crianças vão e fazemos disso um evento, tem o RPG dos adultos enquanto as crianças brincam. O mais velho dentre as crianças, o Otávio, já até tentou mestrar pra nós, tenho medo do Slenderman até hoje.

Alice_mestre
Alice se arriscando a mestrar. O problema é que sempre aparece um dragão…

Jogando com crianças

Já escrevi também sobre a experiência de jogar com crianças (podem ler aqui), e é fabuloso. Alice ainda não consegue focar muito tempo ou compreender todas as regras, mas já consegui várias experiências muito bacanas com ela.

Esses dias tive uma tentativa falha de jogar Gatos Espaciais. Elas não quis ser uma gato espacial de jeito nenhum. Queria ser a Batgirl. Fazer o que? Parti pra outra. Tentei um jeito de contar histórias com escolhas e rolagem de dados. Eu dava um início, fazia perguntas e ela respondia, criando uma história colaborativa. Chegava um ponto que teria uma “batalha”, perder ou ganhar ia depender do resultado do dado. Ela foi aceitando. Naquele dia foi a história do Rei Polvo Bigodudo que se perdeu e foi preso pela Bruxa de Lixo (contarei sobre isso noutro momento). Hoje ela adora brincar disso e várias outras histórias já foram criadas, ela até tem sua personagem a Super Bailarina Alice, que possui muitos disfarces, dente eles Ninja e Fada. 

O que quero dizer? Nem sempre poderemos explorar novos sistemas, jogar exatamente as aventuras que gostaríamos, mas podemos viver momentos épicos com as crianças. Atualmente vejo que filhos não são “desculpa” para parar de jogar RPG, pelo contrário, se estivermos dispostos a entrar no imaginário deles são motivação. É mais doação? Sim, é. Porém, é extremamente gratificante.

Tenho vontade de jogar mais. Não posso reclamar, pois sou “privilegiada”, professora e profissional na área, mesmo assim, exatamente por isso, muitas vezes me sinto desatualizada. Aos poucos vou acertando.

Já comecei a rolar dados com minha filha e rolo os meus. Adaptação e paciência. Vale a pena.

Lavem as mãos e joguem online!

 

Por Mônica de Faria

Imagem de capa por Sandra Staple Copyright CC 2008

Twitter: @MnicadeFaria2

 

2 comentários em “Masmorras & Mamadeiras Avançado, continuação do papo sobre maternidade e RPG

Adicione o seu

  1. Parabéns pela sua luta Mônica! Relatos como o seu são importantes pra começarmos a entender outras realidades além das nossas. Que vc possa sempre manter os dados rolando e que eles lhe tragam muitos sucessos decisivos!

    1. Obrigada, José! Fico contente que tenhas gostado. A realidade da vida de responsabilidades é muito difícil, a sensibilização e empatia já são uma alegria e um grade passo pra colaborar no repensar dos lugares sociais.

Deixe uma resposta para José Noce Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: